Psicóloga alerta sobre impactos psicológicos da pandemia

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Desde que o primeiro diagnóstico para covid-19 foi confirmado no Brasil, em fevereiro de 2020, já foram oficializados 19,4 milhões de casos em todo o país. Em Amambai, a Secretaria de Saúde diagnosticou o primeiro caso para a doença no dia 9 de maio daquele mesmo ano. Até o momento, são quase 3,2 mil casos confirmados no município.

Existe uma semelhança entre ambos os diagnósticos de covid-19: no primeiro caso confirmado em território brasileiro, o indivíduo retornou da Itália poucos dias antes de ter a confirmação de que portava a doença; no caso de Amambai, o indivíduo confirmou de que estava infectado após receber a visita de uma jovem que estava no município para visitar familiares, sendo que ela residia em Dourados.

Por mais que pareça coincidência, é exatamente desta forma que a Covid-19 se espalhou por todo o mundo. Contato com pessoas de outras regiões, não uso de máscara, a falta de cuidados com a higiene pessoal e aglomerações são fatores que determinam as chances de adquirir ou não a doença.

Todos esses acontecimentos nos levaram, como sociedade, ao isolamento social. Antes, esse termo sequer era de conhecimento geral, em especial no Brasil. Embora continue sendo uma recomendação importante, mesmo com o avanço da campanha de vacinação, esta prática trouxe consequências para nós, como indivíduos. É o que conta a psicóloga Caroline de Oliveira Barbosa, que conversou com a reportagem do Grupo A Gazeta sobre o tema.

De acordo com esta profissional, a pandemia contribuiu para tornar as pessoas mais frias e distantes, enquanto popularizou ainda mais formas de entretenimento individuais. “O distanciamento social fez com que laços se quebrassem. Um passeio rotineiro de uma família ao shopping ou ao parque foram substituídos por filmes ou pelo o que? Não é à toa que vemos uma ascensão das mídias sociais, os laços estão sendo substituídos por redes sociais”, afirma.

A pandemia também fortaleceu problemas de saúde que afetam a mente, devido ao medo de adquirir a doença, em especial quando existe a necessidade de sair de casa. Para a psicóloga Caroline, “falar sobre ansiedade e síndrome do pânico não causam tanto estranhamento nas pessoas como era antes. Apesar de que essas doenças sempre estiveram presentes, houve um agravamento devido à pandemia”.

Desde o começo da pandemia, morreram mais de 4 milhões de pessoas em todo o mundo devido à Covid-19. No Brasil, são mais de 542 mil óbitos pela doença, enquanto em Amambai já foram computadas 81 mortes. Todos esses casos mudaram a forma como a população enxerga a morte, afirma a psicóloga Caroline, que também destaca que “o luto diante da pandemia tem sido um tema bem polêmico”.

A gerente de uma funerária de Amambai, Janete Córdoba, relatou à reportagem do Grupo A Gazeta que um dos momentos mais difíceis para uma família é ser privada da despedida. “A família fica em um transtorno grande porque não pode ter o velório. Não pode nem ver o parente ou amigo, pois já sai de dentro do hospital lacrado. A dor é muito maior porque você não pode nem se despedir. Essas mortes têm abalado as estruturas familiares e deixado uma marca muito forte de tristeza. O que mais escutamos é a lamentação de que se não fosse a Covid, determinadas pessoas ainda estariam vivas", relata Janete, explicando que a proibição do velório é uma orientação do Ministério da Saúde, que obriga todas as funerárias a seguir a fim de evitar o contágio de mais pessoas com a doença.

Embora existam centenas de milhares de óbitos confirmados pela doença no Brasil, existem pessoas que não são complacentes com a situação que está ocorrendo, afirma a psicóloga. “Não é fácil para as pessoas que perderam um ente querido em leito de UTI e se despediram com o caixão fechado em meio ao Coronavírus. Por outro lado, algumas pessoas parecem não se importar com o que está acontecendo. Vivem como se essa realidade jamais chegará a elas. Perder alguém querido é um processo doloroso, e ver isso sendo negligenciado por alguns torna tudo mais difícil e mais polêmico”, comenta a profissional da saúde.

Ainda que os efeitos negativos da pandemia saltem aos olhos, como o aumento de casos de ansiedade e traumas relacionados aos óbitos, e as dificuldades econômicas em consequência das medidas tomadas por governos, entidades e empresas, que buscaram limitar aglomerações e resguardar o bem-estar da população, a pandemia trouxe fatores que podem ser vistos como positivos. “De pontos positivos, destaco o aprendizado de que eventos ruins podem acontecer com mais frequência do que esperávamos e, que assim, podemos dar mais valor para as coisas simples, como o convívio com aqueles que amamos e momentos corriqueiros que deixávamos despercebidos”, conclui a psicóloga Caroline.

*Colaborou Raquel Fernandes

Fonte: Marlon Antunes/ Grupo A Gazeta*