Menina de 14 anos pinta quadros para ajudar no tratamento de irmão autista: 'É minha maneira de contribuir'

A jovem Ana Paula Duarte Furtado, de 14 anos, acompanha desde pequena a dificuldade da família, que mora em Campo Grande (MS), para custear o tratamento do irmão autista. Aos 12 anos, ela resolveu tomar uma atitude para ajudar: pintou um quadro e ofereceu para que fosse rifado. Com o valor arrecadado, conseguiu contribuir com o tratamento de Pedro e desde então, não parou mais.

Tela pintada por Ana Paula aos 12 anos que foi rifada para ajudar nas despesas do tratamento do irmão — Foto: Arquivo pessoal

Tela pintada por Ana Paula aos 12 anos que foi rifada para ajudar nas despesas do tratamento do irmão — Foto: Arquivo pessoal

Ana Paula lembra que há 2 anos, quando fez um curso de artes para aperfeiçoar sua técnica achava que as pessoas não teriam interesse por suas obras. "A dúvida era se as pessoas comprariam porque gostavam ou apenas porque eu queria ajudar meus pais", conta. O que fez ela esquecer esse receio foi o foco em ajudar o irmão e a família.


“Em minha casa somos muito unidos, eu não tenho como apagar o autismo do meu irmão como eu consigo apagar um desenho na tela, mas vi que eu poderia ajudar oferecendo uma produção minha."


Pedro, de 9 anos de idade e a irmã, Ana Paula, autora das obras — Foto: Arquivo pessoalPedro, de 9 anos de idade e a irmã, Ana Paula, autora das obras — Foto: Arquivo pessoal

Pedro, de 9 anos de idade e a irmã, Ana Paula, autora das obras — Foto: Arquivo pessoal


A mãe da adolescente, Helenice Duarte Furtado, disse ao G1 que a família morava no interior do estado e veio para a capital unindo duas necessidades: um tratamento melhor para Pedro e a chance de Ana estudar em uma escola de artes.

Ana Duarte, artista plástica de 14 anos, quer cursar faculdade de artes. — Foto: Arquivo pessoal

A mãe do casal trabalha com vendas de doces e salgados para complementar a renda da família. Ela conta que seu grande orgulho é perceber que passou para os filhos a importância de se manterem unidos: "Eu apoio os dois em suas decisões e faço o possível para prepará-los para as dificuldades que possam surgir, para que estejam juntos e cuidem um do outro", declara.

Há 4 anos, quando chegaram à capital, ela lembra que a realidade era bem diferente, os custos com tratamentos e remédios eram mais altos. No início, a família conseguiu arcar com as despesas apenas com o salário do esposo de Helenice, mas com o passar dos anos, tudo foi ficando mais difícil e as contas não fechavam.

Ana Paula utiliza a técnica de releituras, mas pretende pintar telas e quadros autorais conforme avança no curso de artes — Foto: Arquivo pessoal

Ana Paula utiliza a técnica de releituras, mas pretende pintar telas e quadros autorais conforme avança no curso de artes — Foto: Arquivo pessoal


A família chegou a fazer empréstimos e acabaram se endividando. À época, Ana já demonstrava grande talento nas telas e quadros que pintava e, vendo a situação da família, quis ajudar a seu modo:


“Naqueles dias o Pedro estava com uma úlcera no esôfago por conta de um refluxo medicamentoso. Os remédios eram caros e estávamos sem condições de comprar, completamente desesperados. Aquela rifa salvou a nós todos", relembra a mãe, emocionada.


As telas feitas pela adolescente são vendidas entre R$ 100 e R$ 1200  — Foto: Arquivo pessoal

As telas feitas pela adolescente são vendidas entre R$ 100 e R$ 1200 — Foto: Arquivo pessoal

Ana Paula segue estudando e pintando as telas que são expostas em seu perfil no instagram. Ela vende as obras e faz questão de ajudar os pais com o dinheiro que recebe. Segundo a estudante, os valores variam entre R$ 100 e R$ 1200, dependendo da técnica e dos materiais usados.


“Eu sou apaixonada pela arte , pelo desenho , pela pintura , sinto que me leva para outro lugar, que me traz paz."


Ana sonha em cursar uma faculdade na área e quer pintar até esse dia chegar: "A arte está no meu coração, e enquanto eu puder, quero que ela sirva para ajudar o Pedro a viver melhor, é minha maneira de contribuir", finaliza.


* Estagiário supervisionado por Jaqueline Naujorks-G1.