Em dois anos, Vigia traz perda de R$ 1,8 bilhão para crime de Mato Grosso do Sul

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Há dois anos em operação em Mato Grosso do Sul, o Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia) tem revolucionado a repressão aos crimes de fronteira e fez com que o crime organizado tivesse uma perda de R$ 1,8 bilhão no Estado, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

De 1º de setembro de 2019 até o dia 31 de agosto de 2021, as forças de segurança apreenderam em Mato Grosso do Sul 963 toneladas de drogas, 3.020 veículos, 436 armas, 86 embarcações e 24.948 celulares.

Conforme o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, a instalação do programa vem auxiliando o Estado na redução da vitalidade financeira das organizações criminosas e concretizando ações nas fronteiras. 

“Estamos fechando o cerco nas fronteiras. Não vamos dar espaço para nenhuma atuação criminosa. A integração das forças de segurança, aliada ao uso de inteligência, traz cada vez mais resultados positivos na luta contra a criminalidade”, afirmou Torres.  

Ainda conforme dados do programa, de janeiro a agosto deste ano, mais de 374 toneladas de drogas foram confiscadas, enquanto em 2020, no mesmo período, foram 350 toneladas.  

Conforme o diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) de Mato Grosso do Sul, coronel Wagner Ferreira da Silva, os resultados positivos relacionados aos números de apreensões e prisões reforçam a qualidade do trabalho integrado entre as forças de segurança pública.  

“O programa Vigia mudou alguns paradigmas da segurança pública, antes os policiais da ponta eram retirados para servir a força nacional, agora ele incentiva a permanecer na fronteira para atuar na repressão do crime. A ação promove integração entre os órgãos de segurança pública, reforçando os trabalhos que já eram realizados no Estado”, apontou.  

Além de Mato Grosso do Sul, o Vigia está presente nos estados do Paraná, Mato Grosso, Amazonas, Acre, Rondônia, Tocantins, Goiás, Roraima, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte e Ceará.

OPERAÇÃO HÓRUS

Desde o início da Operação Hórus, criada por MS e que integra o Vigia, o Estado lidera as apreensões de entorpecentes no País.  

O secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, explica que o foco da operação é combater o crime organizado na faixa de fronteira. A ação tem caráter permanente e atua por meio de diversos pontos de bloqueio fixos e móveis nas faixas de fronteiras e divisas estaduais.

“A Operação Hórus em Mato Grosso do Sul faz parte do Vigia e custeia operações na fronteira do Paraguai com a Bolívia e também nas divisas dos estados. A medida tem reforçado as ações do policiamento preventivo e repressivo, à medida que custeia as diárias dos policiais em suas jornadas extraordinárias”, destacou.  

O foco da atuação policial são as organizações criminosas nacionais e internacionais, por meio da repressão ao tráfico de drogas e de armas, contrabando, descaminho e crimes ambientais.

“Quando você investe em operações dessa envergadura e está em sintonia com as forças estaduais e federais, você potencializa os investimentos. Mato Grosso do Sul colabora não só com a sua população, mas também com outros estados e países para onde iriam os produtos ilícitos apreendidos”, disse Videira.  

 RECORDES

Mato Grosso do Sul registrou, no dia 10 de julho deste ano, a maior apreensão de droga da história do País, com 36,5 toneladas de maconha apreendidas pela Polícia Militar Rodoviária (PMR). 

A segunda maior apreensão registrada no País, sendo de 33,3 toneladas de maconha, também ocorreu em Mato Grosso do Sul, pelo  Departamento de Operações de Fronteira (DOF), no dia 26 de agosto de 2020. O volume representou um prejuízo de mais de R$ 50 milhões às organizações criminosas.

Silva avalia que as operações de apreensão no Estado prestam serviço para todo o País no combate ao tráfico.

“Mato Grosso do Sul é o principal corredor de drogas do Brasil, fazemos fronteira com o Paraguai, que produz maconha, e a Bolívia, que produz a cocaína, além das armas de fogo, que são adquiridas e transportadas pelo Estado, com isso, as ações realizadas aqui evitam que o crime organizado alimente os grandes centros de drogas do País”, destacou Silva.  

VIGIA  

O Vigia segue as diretrizes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com foco na atuação integrada, coordenada, conjunta e sistêmica entre as instituições. O programa integra todas as forças policiais, o que resulta em um somatório de mil policiais atuando diariamente pelo Vigia.

Em dois anos de atuação, o Ministério da Justiça e Segurança Pública investiu mais de R$ 1,3 milhão em capacitações, além de outros R$ 130 milhões em aquisições de equipamentos para dar suporte às equipes em campo, como drones, óculos de visão noturna, equipamentos de radiocomunicação, entre outros.

O programa se baseia em metodologias de gestão, utilizando a integração entre equipes especializadas, com padronização de técnicas, táticas e procedimentos.

Fonte: Rafaela Moreira/ Correio do Estado