Consumidores acreditam que não houve trégua na inflação dos alimentos

Parte deles teme uma nova disparada nos preços dos combustíveis, que, gradativamente, passa por elevações de valores.

Joilson Xavier lamenta a elevação de preços nos alimentos - Foto: Elias LuzO anúncio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sofre a inflação via Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente ao mês de outubro, foi digerido com indiferença por quem realmente trabalha para sobreviver: o povão.

Oficialmente, a inflação do IPCA ficou em 0,47% em outubro, pulou para 4,49% no acumulado do ano e saltou para 6,52% nos últimos doze meses. Para a aposentada Vamona Silva, esse cálculo da inflação não traduz a realidade da população, principalmente porque nos alimentos os preços jamais baixaram.

A aposentada contou que ficou revoltada com as notícias de deflação nos dois últimos meses. “Imagine um produto que vale R$ 5, aí o preço aumenta para R$ 20, depois baixa para R$ 19 e em seguida cai de para R$ 18. Aí vem aquele o povo falando bonito na televisão dizendo que houve deflação, quando na verdade diminuíram um pouco o preço de um produto que vale bem menos”, esbravejou a aposentada, que considerou um absurdo os preços dos produtos de higiene e limpeza.

Quem também adotou um discurso semelhante foi microempreendedora Edna Rodrigues. Ela mora em Ladário e sempre que vem a Campo Grande aproveita para fazer compras, mas desta vez a história foi outra. “Sempre levo fardos de produtos, mas desta vez não var dar certo porque, em Campo Grande, os preços não estão nada em conta. Por isso, vou deixar para comprar na minha cidade. Lá, está menos caro”, lamentou.

Mais calmo, o funcionário público Francisco Corrêa disse que se vê obrigado a acompanhar as “promoções” dos supermercados e, como mora perto de um, aproveita e vem todos os dias. “Tem o dia da carne, o dos hortifrútis e por aí vai. O jeito é comprar assim porque dói menos no bolso. O lado ruim disso tudo é que estão e obrigando a comer menos carne, porque o preço está salgado demais”, destacou.

Já o vigilante Joilson Xavier até enumerou os produtos que mais subiram de preços: carnes, produtos de limpeza, de higiene e, para sua tristeza, o feijão também está mais caro. “Não sei como isso vai terminar, mas não estou gostando nada dessa situação. Conheço muita gente que está trabalhando para comer e, mesmo assim, está comendo mal”, avaliou o vigilante.

Combustíveis sobre em ritmo lento

Os preços dos combustíveis estão subindo gradativamente. Pelo menos é que se vê nos postos de Campo Grande. Pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já tinha apontado esta tendência.

Na primeira semana de outubro, o litro de etanol custava R$ 3,38, subiu para R$ 3,41, depois para R$ 3,48, saltou para R$ 3,55 na semana da eleição e – na primeira semana de novembro – o preço ficou em R$ 3,56. No entanto, esta semana o valor saltou para R$ 3,79 à vista e R$ 3,99 no cartão, na maior parte dos postos de combustíveis.

A gasolina comum seguiu caminho parecido. Quem abasteceu em outubro começou pagando R$ 4,66, depois queda para R$ 4,63. A partir daí só vieram elevações: R$ 4,64, depois R$ 4,67 e agora o preço está em R$ 4,73, totalizando quatro aumentos no mês. Já em novembro, o preço já se encontra em R$ 4,79 à vista e R$ 4,99 no cartão.

No caso do óleo diesel tipo S10, o preço iniciou outubro com o litro valendo R$ 6,51, subiu para R$ 6,52, manteve-se por mais uma semana, depois subiu para R$ 6,54 e semana passada havia caído para R$ 6,52. Agora, o preço está em R$ 6,69. No óleo diesel comum, o litro custava R$ 6,34, subiu para R$ 6,53, caiu para R$ 6,45, depois para R$ 6,44. Semana passada se encontrava em R$ 6,39 e agora está em R$ 6,42.

Para Regiane Morais, gerente de um posto de combustível na avenida Eduardo Elias Zaram, a tendência é de pequenos aumentos sucessivos que, por enquanto e no caso dela, os valores ainda não foram repassados para os consumidores. “Optamos por achatar a margem de lucro, mas na próxima alta de preços não vai dá para segurar os aumentos na gasolina e óleo diesel”, antecipou.

O também gerente de posto de combustível Luís Fernando Paiva explica que a maior elevação de preços foi registrada no etanol. E, por isso, o preço da gasolina vai subir a reboque. “A maior subida de preços veio do etanol. Talvez algum problema de safra ou aumento no custo. Daí, a consequência é o etanol mais caro. Como consequência, a gasolina também vai subir porque tem 27% de etanol”, explicou Paiva.

Fonte: Elias Luz/ Correio do Estado