Com fim do El Niño, há risco de La Niña no ano que vem?

Foto obtida em: Canal Rural

O El Niño vai continuar perdendo força daqui para frente, projeta o Departamento de Meteorologia dos Estados Unidos (NOAA). Com isso, há grande chance do Brasil ter normalidade climática na primavera e no verão. 

De acordo com Heloísa Pereira, meteorologista da Somar, o enfraquecimento do fenômeno traz mudanças significativas. “As temperaturas não ficarão tão acima do normal quanto no verão passado”, explica.

Com o padrão de neutralidade, o período úmido 2019/2020 pode ser muito semelhante ao de 2005/2006. A chuva chega no início do plantio, mas, ao longo do verão, o excesso de nebulosidade e as precipitações mais frequentes podem prejudicar o desenvolvimento de algumas lavouras no Brasil central.

“Em 2005/2006, saímos de um El Niño, passamos rapidamente por uma neutralidade e tivemos um La Niña posteriormente, o que trouxe problemas de ferrugem asiática por conta do excesso de umidade e da grande cobertura de nuvens”, explica Heloísa Pereira. No entanto, segundo a meteorologista, ainda é muito cedo para cravar um La Niña no ano que vem.

A possibilidade de La Niña aumentou, chegando a 15% no alto verão, mas ainda perde muito para a chance de neutralidade. “Só teremos mais informações quando tivermos as atualizações necessárias da primavera, indicando o que esperar do ano que vem”, diz.

Com o fim do El Niño, o Sul pode enfrentar falta de chuva durante a safra de verão em alguns momentos, já que a umidade estará mais concentrada entre centro e norte do país.

Por outro lado, o Matopiba se beneficia com a normalidade. “Teremos mais chuva para o Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia já a partir de novembro, sem grandes atrasos”, finaliza a meteorologista.

Fonte: Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural