Aumento da exportação e diminuição de rebanho aumentam preços da carne na região

Foto: Raquel Fernandes

Em dezembro de 2019, o Grupo A Gazeta fez uma pesquisa de preços da carne na região do Cone Sul. O quilo da alcatra variava de R$ 25,90 a R$ 30,50. Atualmente a média está entre R$ 35 e R$ 42. Uma alta considerável em menos de dois anos, que também se estende aos outros tipos de carne.

De acordo com o produtor rural de Amambai, Diogo Peixoto, o aumento da carne deve-se a diversos fatores, entre eles o aumento da exportação e a diminuição dos rebanhos no município e em toda a região. Nesta segunda-feira, dia 12, a arroba do boi estava custando R$ 300, conforme informou o produtor.

“Tivemos diminuição do rebanho no município e em todo o Estado e o avanço da agricultura. Para o dono da terra é muito mais vantajoso financeiramente colocar a agricultura do que a pecuária. Isso levou a pecuária para as áreas mais distantes com difícil acesso (..) Além disso, as exportações aumentaram. Como o dólar subiu, ficou muito mais interessante o importador comprar carne bovina no nosso País a um preço mais barato, logo as exportações estão em alta. A demanda chinesa aumentou muito.” Explica o produtor, esclarecendo que atualmente há uma demanda grande de carne, mas houve a diminuição da oferta de boi gordo internamente e isso faz como que o preço da arroba suba.

Outro fator apontado pelo pecuarista estão nos custos de produção, que também aumentaram. “Antes nós tínhamos um custo muito menor pra criar um boi. Hoje tudo praticamente dobrou de valor. Um rolo de arame, por exemplo, antes era 350 reais, hoje está 700 reais; o litro do diesel custava na faixa de 3 reais, hoje está mais que R$4”, comenta o produtor.

Aline Marques, moradora do município de Caarapó, contou à reportagem do Grupo A Gazeta que está tendo que diversificar nas refeições. “Nós diminuímos radicalmente o consumo da carne e estamos substituindo por ovos e frango também.”, contou.

Os produtores rurais explicam também sobre a diferença dos preços da carne bovina para os preços das aves e também da carne suína.

“O ciclo do bovino é muito maior do que o ciclo do suíno e do frango. Por exemplo, no caso do frango: reproduz e se abate muito mais rápido, o ciclo é muito mais dinâmico, de um pintinho até um frango abatido são apenas 50 dias. O boi não, são dois anos, até três anos."

Famasul espera que consumo interno deverá ser aquecido com auxílio emergencial

Boletim Casa Rural divulgado pela Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) com dados sobre a bovinocultura de corte revela que o setor espera melhora no consumo interno de carnes nesta semana, devido aos pagamentos de salários e à retomada do auxílio emergencial implantado pelo governo federal para conter os efeitos econômicos adversos da pandemia do novo coronavírus.

O documento menciona que março chegou ao fim com valorização nas cotações em âmbito estadual. A arroba do boi gordo fechou cotada, em média, R$ 295,83 e da vaca a R$ 279,17. Esses valores representaram valorizações de 5,81% e 6,18%, respectivamente quando comparados aos do dia 1º do mês passado.

“A oferta menor segue com mais peso na balança para justificar o movimento de alta. Neste momento, com pastagens em melhores condições, os produtores terão a possibilidade de entrega gradual de animais. A expectativa é de melhora no consumo interno nos próximos dias em razão de recebimento dos salários e até mesmo com as novas rodadas de auxílio emergencial”, pontua o boletim.

Fonte: Raquel Fernandes/Grupo A Gazeta (com informações de André Bento/Dourados News)