Artigo: Todas as mulheres são princesas

No Dia Internacional da Mulher cabe a sociedade uma reflexão sobre as conquistas alcançadas e o patamar almejado pelas mulheres.

Em uma sociedade que cultua o patriarcalismo, muitas vezes não se percebe as ofensas aos direitos e a dignidade das mulheres. Passando pelos séculos XIX e XX, nos Estados Unidos e na Europa, em que se buscavam condições melhores de vida e de trabalho para as mulheres, bem como o direito ao voto, que no Brasil somente foi possível no ano de 1946 em condições igualitárias aos dos homens, chega-se ao século XXI ainda distante do alvo desejado outrora.

Hodiernamente, as mulheres votam, melhoraram as condições de vida, nos aspectos sociais, econômicos e de trabalho, contudo, num degrau abaixo, pois são minorias nos cargos de chefias nas corporações, na política, nos cargos públicos, sendo muitas vezes mais qualificadas para as funções apresentadas.

No lar continua a ser protagonista. As tarefas domésticas pertencem às mulheres, mesmo que trabalhem fora e tenham um melhor provento do que seu companheiro.

A sociedade tem responsabilidade pelas violações dos direitos das mulheres, assim como também se deve adequar para garantir a efetividade das conquistas auferidas em todos os campos, com mudanças do conjunto de comportamento e de pensamento social, vg, em que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos, somente entre os membros da família”; “a roupa suja deve ser lavada em casa”; “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Portanto, no bojo social é recorrente e presente:

  • Por que você não denunciou da primeira vez que ele bateu?
  • Por que ela não se separa dele?
  • Ela provocou.
  • O que a senhora fez pra ele te bater?
  • É mulher de malandro, eles se merecem.
  • Quando descobriu que ela tinha um amante, ele perdeu a cabeça.
  • Ficou desesperado pelo amor não correspondido e acabou fazendo uma loucura.

É dever social outorgar as mulheres os direitos e garantias disponíveis no ordenamento jurídico pátrio e nas condutas ativas e principais das diversas comunidades, atribuindo tratamento igualitário nos variados papéis representados. Aqui, nestas assertivas que as mulheres labutam para chegar.

Uma marca ainda a ser superada está nos números da violência doméstica e familiar contra as mulheres. Mesmo com todos os desenvolvimentos e avanços da humanidade, ainda não se superou essa epidemia, como bem classificou a Organização Mundial da Saúde. As consequências são visíveis e de tratamento possível pelos diversos órgãos que compõem a rede de enfrentamento e de proteção às vítimas e as famílias.

Tendo em vista a defesa e a permanência da família, muitas mulheres mantêm-se no relacionamento abusivo e no ciclo da violência, sendo que a primeira solicitação é para que se mude o comportamento de seu companheiro. Em diversas ocorrências desse tipo percebe-se que a mulher deseja que ele seja como era, no início da relação. Não há a intenção imediata à violência de sair do lar, ela permanece na espera da mudança e ser tratada como dantes: princesa.

Wesley Freire de Araújo é Tenente Coronel de Polícia Militar.

Comandante da 3ª CIPM – Amambai/MS.